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Edição Atual
Volume 24 - Nº06 - Junho/2009

SUMÁRIO
O mês de junho foi marcado por temperaturas máximas e mínimas abaixo da média no sul da Região Norte e no oeste e sul da Região Centro-Oeste. Na Região Sul, os termômetros registraram valores abaixo de 0ºC, com ocorrência dos primeiros episódios de geada nas áreas serranas. Na primeira quinzena de junho, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) continuou atuando ao sul de sua posição climatológica, especialmente na região equatorial do Atlântico, o que explicou as chuvas acima da média na Região Norte e no norte da Região Nordeste. Apesar da incursão de quatro sistemas frontais, as chuvas ainda se apresentaram abaixo da média na Região Sul do Brasil.

A extensa área de anomalias positivas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região do Pacífico Equatorial e o relaxamento do ventos em 850 hPa, entre 150ºW e a costa oeste da América do Sul, foram consistentes com o possível estabelecimento do fenômeno El Niño nos meses subsequentes. Na bacia do Atlântico Tropical, notou-se o enfraquecimento do padrão de dipolo no campo de anomalia de TSM, com a diminuição da área de anomalias negativas no Atlântico Tropical Norte. Esta configuração também foi favorável ao deslocamento climatológico da ZCIT para posições ao norte de 5ºN nas duas últimas pêntadas de junho.

As vazões médias mensais diminuíram na maioria das bacias brasileiras, com exceção do norte da bacia do Amazonas, do sul da bacia do Paraná e do Atlântico Sudeste e da bacia do Uruguai.

Os 1.850 focos de queimadas detectados no País estiveram 40% acima dos focos detectados em maio passado. Contudo, em comparação com o mesmo período de 2008, verificou-se que o número de focos diminuiu 35% em todo o País, possivelmente associado às precipitações acima da média em grande parte do Brasil.


Em junho, destacou-se a expansão em área e magnitude das anomalias positivas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) ao longo do Pacífico Equatorial (Figura 1). Nas regiões dos Niños 1+2, 3, 3.4 e 4 (Tabela 1), as anomalias positivas de TSM aumentaram em comparação com maio passado. A temperatura do mar nas camadas sub-superficiais, próximo à costa oeste da América do Sul, apresentou anomalias positivas de até 3ºC. Embora estas características já estejam ocorrendo na região do Pacífico Equatorial, a situação da atmosfera ainda é de transição entre as fases fria e quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). No Oceano Atlântico, o padrão de dipolo no campo de anomalia de TSM, que esteve bem estabelecido entre fevereiro e maio de 2009, evidenciou sinais de enfraquecimento, com a diminuição da área de anomalias negativas de TSM no Atlântico Tropical Norte.

O campo de Radiação de Onda Longa (ROL) apresentou ausência de atividade convectiva mais acentuada na região da Indonésia e norte da Austrália, consistente com o término do fenômeno La Niña (Figura 5). A área de anomalia negativa de ROL sobre o Nordeste do Brasil, indicativa da ocorrência de chuvas acima da média, ainda refletiu o posicionamento da ZCIT ao sul de sua climatologia na primeira quinzena de junho (ver seção 3.3.1)

O campo de anomalia de Pressão ao Nível do Mar (PNM) ainda não evidenciou o estabelecimento do padrão canônico associado ao fenômeno El Niño. Neste campo, destacou-se a intensa anomalia negativa no continente australiano (Figura 6). Na região do Atlântico Sul, assim como em grande parte da América do Sul, as anomalias positivas de PNM foram consistentes com o aumento da atividade anticiclônica pós-frontal que causou queda acentuada de temperatura no sul e oeste do Brasil, especialmente durante a primeira quinzena (ver seção 3.2). O sistema de alta pressão semipermanente do Atlântico Sul também se apresentou um pouco mais intenso, se comparado ao padrão climatológico, porém contribuiu para o aumento da convergência de umidade adjacente à costa leste da Região Nordeste do Brasil, onde os ventos apresentaram-se mais fracos que a média.

No escoamento em 850 hPa, destacou-se a anomalia ciclônica sobre o sudeste do Pacífico, igualmente evidenciado no campo de anomalia de PNM (Figuras 7 e
8).. Esta anomalia esteve embebida em um trem de ondas no Hemisfério Sul. Notou-se, também, a persistência do escoamento ciclônico anômalo sobre o sudeste da América do Sul. Na faixa equatorial do Pacífico Leste, destacou-se o relaxamento dos ventos, consistente com as anomalias positivas de TSM indicativas da evolução de condições associadas ao fenômeno El Niño. Na região do Atlântico Tropical, as anomalias de oeste refletiram o relaxamento dos alísios.

O campo de anomalia de vento em 200 hPa destacou os anticiclones anômalos centrados sobre o Atlântico Tropical (Figuras 9 e
10).. Estes anticiclones estiveram associados à divergência na região de atuação da ZCIT, que ainda se apresentou acima da média neste mês de junho. Destacou-se, também, a anomalia ciclônica observada sobre o sudeste da América do Sul. Esta situação correspondeu à atuação de sistemas frontais, associados, por sua vez, à incursão de massas de ar frio mais intensas na primeira quinzena de junho (ver seção 3.2).

O campo de altura geopotencial em 500 hPa destacou um número de onda 1 nas latitudes extratropicais do Hemisfério Sul (Figura 12).

A diminuição das chuvas no norte da Região Nordeste e no norte do Pará e Amapá, em comparação com maio passado, foi consistente com o deslocamento da ZCIT para latitudes ao norte do Equador, como esperado do ponto de vista climatológico. Neste sentido, destacou-se o aumento das chuvas em Roraima e no norte do Amazonas. No leste da Região Nordeste, entre o Rio Grande do Norte e o leste de Alagoas, a formação de aglomerados convectivos associados à propagação de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) contribuiu para a ocorrência de chuvas acima da média em algumas áreas. As Figuras 13 e 14 mostram a precipitação observada em todo o Brasil e os desvios em relação aos valores médios históricos. A distribuição espacial das estações utilizadas na análise de precipitação é mostrada na Figura 15. A análise detalhada do comportamento das chuvas para cada uma das Regiões do Brasil é feita a seguir.

A chuvas foram mais acentuadas no extremo norte da Região, onde os totais mensais continuaram acima da média histórica, com exceção do norte de Roraima. Em Belém-PA, a chuva acumulada totalizou 317,9 mm, sendo a climatologia mensal igual a 140,2 mm. Estas chuvas estiveram associadas ao posicionamento da ZCIT, especialmente durante a primeira quinzena de junho (ver seção 3.3.1). Destacaram-se os elevados totais diários de precipitação registrados em Soure-PA (140,6 mm) e Cameta-PA (103,2 mm), ambos no dia 03, e em São Gabriel da Cachoeira-AM (108,7 mm), no dia 04. Entre os dias 19 e 20, a formação de Linhas de Instabilidade (LI's) favoreceu o total acumulado de precipitação em Boa Vista-RR, igual a 84,6 mm.

Embora este período seja de estiagem na maior parte da Região, as chuvas ocorreram preferencialmente acima dos valores climatológicos, especialmente no norte do Mato Grosso do Sul, onde os totais mensais excederam 100 mm. De modo geral, estas chuvas estiveram associadas à incursão de sistemas frontais pelo interior da Região (ver seção 3.1).

A atuação da ZCIT continuou favorável à ocorrência de chuvas no extremo norte da Região. Por outro lado, considerando os totais acumulados durante junho, choveu abaixo da média numa faixa que se estende do sul de Sergipe ao sudeste da Bahia. É importante mencionar que as anomalias positivas de precipitação no litoral sul da Bahia estiveram associadas à atuação dos sistemas frontais que se deslocaram para latitudes mais ao norte (ver seção 3.1). No início do mês, em particular, a atuação de um sistema frontal intensificado pela passagem da corrente de jato em altos níveis favoreceu a ocorrência de chuva em Canavieiras-BA, com o registro de 99 mm no dia 05 (Fonte: INMET). Ressalta-se que a formação de DOL’s contribuiu para a ocorrência de chuvas diárias mais acentuadas no Rio Grande do Norte e no leste do Estados de Recife e Alagoas, onde os acumulados diários excederam 90 mm (ver seção 3.3.3). Neste sentido, destacaram-se as chuvas acumuladas em Recife-PE (109,7 mm, no dia 12) e Porto de Pedras-AL (103,3 mm e 127,2 mm, nos dias 12 e 13, respectivamente). A atuação do sexto episódio de DOL, entre os dias 22 e 23, favoreceu os elevados totais diários de chuva registrados nas cidades de Natal-RN (97,1 mm) e Aquiraz-CE (98 mm), segundo dados do INMET.

A passagem de sistemas frontais contribuiu para a ocorrência de chuvas ligeiramente acima dos valores climatológicos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e no norte dos Estados de São Paulo e Espírito Santo (ver seção 3.1). Contudo, os acumulados mensais de chuva foram inferiores a 100 mm na maior parte da Região. Em Iguape-SP, registrou-se um total mensal de precipitação igual a 85,9 mm.

Choveu abaixo da média na maior parte da Região Sul. Apenas três sistemas frontais e uma ciclogênese contribuíram para as chuvas observadas especialmente no oeste dos Estados do Paraná e Santa Catarina. Destacaram-se as massas de ar frio que atuaram na retaguarda desses sistemas, principalmente durante a primeira quinzena de junho (ver seção 3.2). No dia 23, a atuação do terceiro sistema frontal contribuiu para os 51 mm de chuva registrados em Caçapava do Sul-RS. No dia 30, durante a formação de um ciclone extratropical, ocorreram rajadas de vento em Chuí-RS e em Mostardas-RS, respectivamente iguais a 80 km/h e 100 km/h (Fonte: dados METAR).

Junho foi um mês frio em parte das Regiões Sudeste e Centro-Oeste e na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, onde tanto as temperaturas máximas quanto as mínimas apresentaram-se abaixo da média histórica. A incursão de massas de ar frio proporcionou baixos valores de temperatura máxima, especialmente durante a primeira quinzena de junho, quando as anomalias negativas foram mais acentuadas no oeste e sul da Região Centro-Oeste, onde ocorreram dois episódios de friagem, e na Região Sul (Figura16). (Figura17). No dia 01, a temperatura máxima foi igual a 12,1ºC em Curitiba-PR. De modo geral, as temperaturas máximas médias mensais variaram entre 18ºC na Região Sul a 34ºC nas Regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. A temperatura mínima média mensal atingiu valores inferiores a 6ºC na serra catarinense (FiguraFigura 18). Embora também tenham ocorrido baixos valores de temperatura mínima associados à incursão de massas de ar frio (ver seção 3.2), as anomalias negativas foram mais acentuadas no centro-sul da Região Sul e em algumas áreas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste (Figura 19). No Estado de São Paulo, a temperatura média mensal variou entre 12ºC, na região do Vale do Paraíba, e 18ºC, no setor norte e numa área mais estreita situada na faixa litorânea deste Estado, onde as anomalias apresentaram-se próximas aos valores climatológicos (Figuras 20 e 21).

Quatro sistemas frontais atuaram no Brasil durante junho de 2009 (Figura 22). Este número ficou abaixo da climatologia para este mês, considerando as latitudes 25oS a 35oS. Destes sistemas, três originaram-se de baixas pressões que se formaram sobre ou próximo à Região Sul do Brasil.
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A frente fria que se formou no final do mês anterior, continuou se deslocando pelo litoral e interior do Brasil no início de junho, posicionando-se em Caravelas-BA entre os dias 03 e 04. Ressalta-se que a massa de ar frio associada causou declínio acentuado das temperaturas no centro-sul do Brasil e favoreceu o primeiro episódio de friagem no sul da Região Norte (ver seção 3.2).

O primeiro sistema frontal originou-se de uma baixa pressão que se formou sobre o oceano no dia 05. Ao se deslocar adjacente ao litoral da Região Sul, o ramo frio deste sistema atingiu o norte do Rio Grande do Sul e o leste de Santa Catarina, no dia 06. Nos dias subsequentes, esta frente fria deslocou-se pelo oceano sem afetar áreas continentais. Contudo, a atuação do anticiclone pós-frontal intensificou os ventos de sudeste e favoreceu o aumento da nebulosidade estratiforme no leste das Regiões Sul e Sudeste do Brasil.

O segundo sistema frontal também se configurou a partir de uma baixa pressão que se formou próximo ao sul do Brasil no decorrer do dia 09. Pelo litoral, este sistema deslocou-se até Vitória-ES, onde se manteve estacionário no dia 13, sendo intensificado pela atuação de um cavado em níveis médios e de um vórtice ciclônico em altos níveis. Pelo interior, esta frente fria avançou até Diamantino-MT. Ressalta-se que a massa de ar frio que atuou na retaguarda deste sistema foi intensa, especialmente no Mato Grosso e sul de Rondônia, onde se configurou mais um evento de friagem do mês (ver seção 3.2).

Entre os dias 15 e 16, a atuação do jato em baixos níveis contribuiu para a configuração de outro centro de baixa pressão sobre a Região Sul do Brasil. Durante a sua formação, foram observadas chuvas mais intensas no oeste de Santa Catarina e no sudoeste do Paraná. No dia 16, embora tenha sido forçado dinamicamente pela passagem de um cavado em níveis médios e pela maior intensidade do jato subtropical, o sistema frontal associado apresentou fraca intensidade. No dia seguinte, este sistema deslocou-se pelo oceano adjacente ao litoral da Região Sudeste.

O terceiro sistema frontal ingressou pelo sul do Rio Grande do Sul no dia 22, proveniente da Argentina. Durante a sua trajetória, formaram-se áreas de instabilidade no oeste da Região Sul, principalmente no oeste do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná. Este sistema frontal foi reforçado pela intensa atividade do jato subtropical (ver seção 4.1). Pelo litoral, esta frente fria deslocou-se até Vitória-ES, onde se posicionou no dia 27.

Nos dias 28 e 29, formou-se um centro de baixa que se estendeu entre o norte da Argentina, sul da Bolívia e do Paraguai e o Uruguai, dando origem ao quarto sistema frontal. Este sistema também foi intensificado pelo escoamento em médios e altos níveis. Durante a sua formação, houve temporais no Uruguai, no nordeste da Argentina e no Rio Grande do Sul. Registraram-se ventos mais intensos principalmente no litoral do Uruguai e do Rio Grande do Sul. Em Passo Fundo-RS, as rajadas de vento atingiram 108 km/h. Pelo litoral, esta frente fria deslocou-se até Florianópolis-SC e, pelo interior, avançou até Guaíra-PR, influenciando também os setores sul e sudoeste do Mato Grosso do Sul. O ciclone extratropical associado configurou-se próximo à costa do Uruguai e das Regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Cinco massas de ar frio foram observadas no decorrer de junho de 2009. A massa de ar frio continental que atuava no final do mês anterior continuou sua trajetória no dia 01. Esta massa de ar frio estendeu-se pelas Regiões Centro-Oeste e Sudeste e pelo sul das Regiões Norte e Nordeste do Brasil entre os dias 02 e 04, deslocando-se posteriormente para o oceano. Na cidade de Ponta Porã-MS, a temperatura mínima passou de 9,1ºC no dia 02 para 4,1ºC no dia 03, declinando mais 1ºC no dia seguinte. O dia 03 também foi o mais frio deste ano na cidade de Vilhena, no sul de Rondônia, registrando-se temperatura igual a 12,3°C. Em Rio Branco-AC, a temperatura mínima registrada neste dia foi 16,6ºC. Estes declínios de temperatura caracterizaram o primeiro episódio de friagem no oeste da Região Centro-Oeste e no sul da Região Norte do Brasil. As temperaturas mínimas também declinaram na Região Sul e no sul da Região Sudeste, com destaque para os baixos valores registrados em Urubici-SC (-2,9ºC, no dia 01, e 4,4ºC, no dia 03); em São Joaquim-SC (1,6ºC, no dia 01, e -2,4ºC, no dia 03); e em Castro-PR (-2,7ºC, no dia 04, e -0,7ºC, no dia 05). Na madrugada do dia 02, houve registro de episódios de geada na Região Sul. No dia 04, a cidade serrana de Campos do Jordão, em São Paulo, registrou a mais baixa temperatura de junho, igual a -0,8ºC. Neste mesmo dia, as temperaturas também foram baixas em cidades serranas de Minas Gerais, como em São Lourenço (-0,9ºC), Machado (1,3ºC) e Bambuí (2,8ºC), segundo dados do INMET.

A primeira massa de ar frio continental ingressou pela Região Sul no dia 06. Esta massa de ar frio também se estendeu pelas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e sul das Regiões Norte e Nordeste. No dia 08, o anticiclone associado posicionou-se sobre parte da Região Sudeste, sul da Região Nordeste e oceano adjacente. Destacaram-se as temperaturas mínimas registradas em Bom Jesus-RS (-1,8ºC, no dia 07, e 1,8ºC, no dia 08) e em São Joaquim-SC (2,2ºC, no dia 08). Em Campos do Jordão-SP, a temperatura mínima foi igual a 4,1ºC, no dia 08.

No dia 10, a segunda massa de ar frio ingressou pelo oeste da Região Sul e oeste do Mato Grosso do Sul. Em Uruguaiana-RS, a mínima atingiu 0,6ºC neste mesmo dia. Nos dias 12 e 13, esta massa de ar estendeu-se pelo centro-sul do País, favorecendo a ocorrência do segundo episódio de friagem. No dia 14, o anticiclone associado posicionou-se sobre o oceano, porém continuou atuando no interior e no litoral das Regiões Sul e Sudeste até o dia seguinte.

A terceira massa de ar frio ingressou pelo Rio Grande do Sul entre os dias 16 e 17, estendendo-se para as Regiões Sul e Sudeste e sul do Mato Grosso do Sul no dia seguinte. Entre os dias 19 a 22, embora o anticiclone associado atuasse sobre o oceano, a magnitude em seu centro atingiu 1034 hPa, favorecendo o declínio de temperatura na faixa litorânea que compreende o sul e o sudeste do Brasil.

No dia 23, a quarta massa de ar frio ingressou pelo oeste do Rio Grande do Sul. Nos dias subsequentes, deslocou-se para leste atuando em toda a Região Sul, Sudeste e sul da Região Nordeste. No dia 25, a temperatura mínima atingiu -0,3ºC em Bagé-RS e -0,1ºC em Uruguaiana-RS. O anticiclone associado continuou atuando sobre a faixa litorânea das Regiões Sul e Sudeste até o dia 29.

No decorrer do dia 30, a quinta massa de ar frio ingressou pelo oeste do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, associada à incursão do último sistema frontal deste mês.

Em junho, destacou-se a atividade convectiva associada à atuação da ZCIT e à formação de aglomerados convectivos associados à propagação de DOL’s próximo à costa das Regiões Norte e Nordeste do Brasil, especialmente na 1ª, 2ª e 5ª pêntadas (Figura 23). Ressalta-se que a ZCIT atuou ao sul da sua posição climatológica principalmente durante a primeira quinzena de junho (ver seção 3.3.1). Nas Regiões Sul e Sudeste, destacou-se a atividade convectiva associada à atuação dos sistemas frontais na maioria das pêntadas (ver seção 3.1). Apesar das anomalias positivas de precipitação, a atividade convectiva foi baixa na maior parte da Região Centro-Oeste, em particular em Goiás (ver seção 2.1).

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) continuou atuando ao sul de sua posição climatológica, principalmente próximo à costa norte do Brasil, durante a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª pêntadas de junho (Figura 24). Ressalta-se o deslocamento da ZCIT para posições ao norte de 5ºN nas duas últimas pêntadas de junho. Nas imagens médias de temperatura de brilho mínima, nota-se a maior interação da banda de nebulosidade da ZCIT com a convecção sobre as Regiões Norte e Nordeste do Brasil durante a primeira quinzena (Figura 25). Na 5ª e 6ª pêntadas, a ZCIT oscilou em torno de 5ºN.

As Linhas de Instabilidade (LI’s) estiveram melhor caracterizadas em treze episódios no decorrer de junho, atuando preferencialmente entre as Guianas e o norte do Maranhão (Figura 26). De modo geral, estas LI’s apresentaram maior intensidade durante a primeira quinzena de junho, quando a ZCIT atuou mais próximo à costa norte do Brasil. A partir do dia 18, a configuração das LI’s ocorreu entre as Guianas e o norte do Pará, acompanhando o comportamento climatológico da ZCIT para latitudes ao norte de 5ºN.

Os aglomerados convectivos associados à propagação de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL) estiveram melhor caracterizados em oito episódios no decorrer do mês de junho (Figura 27). Ressalta-se, porém, que alguns episódios ou atuaram em conjunto com a nebulosidade associada à ZCIT ou não afetaram áreas continentais, tais como o primeiro e segundo episódios aqui ilustrados. Destacaram-se os episódios de DOL que se formaram nos dias 11 e 12, os quais proporcionaram acumulados significativos entre o litoral do Rio Grande do Norte e Alagoas. Destacou-se, também, o episódio que ocorreu no dia 22 e foi associado ao cavado que se configurou na alta troposfera, contribuindo para o excesso de chuva principalmente no norte dos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte(ver seção 2.1.5).

Em junho, o jato subtropical atuou com maior freqüência sobre o Paraguai e o sul do Brasil, onde sua magnitude média mensal variou entre 40 m/s e 50 m/s (Figura 28a). O jato subtropical apresentou-se mais intenso que a climatologia para este período, em particular durante a primeira quinzena de junho. A Figura 28b ilustra o comportamento do jato no início de junho, quando atingiu magnitude superior a 60 m/s, contribuindo para o deslocamento do sistema frontal até o sul da Bahia (ver seção 3.1). No final deste mês, o jato subtropical voltou a intensificar, atingindo magnitude superior a 70 m/s sobre a Região Sul do Brasil e contribuindo para a formação de áreas de instabilidade associadas à passagem do terceiro sistema frontal (Figuras 28c e 28d). Neste período, destacou-se também a atuação de duas massas de ar frio sobre o centro-sul do Brasil (ver seção 3.2).

Os Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCAN) ocorreram em apenas dois episódios no decorrer do mês de junho (Figura 29). No período de 01 a 06, a presença de um cavado com eixo sobre o Brasil Central esteve associada à atuação mais intensa do jato subtropical, favorecendo o deslocamento do sistema frontal pelo litoral do Brasil para latitudes mais ao norte (ver seções 3.1 e 4.1). O primeiro episódio de VCAN esteve associado à bifurcação do jato subtropical entre os dias 11 e 16. Esta configuração favoreceu a intensificação e o deslocamento do segundo sistema frontal pelo litoral da Região Sudeste. A partir do dia 22, amplificou-se um cavado sobre a Região Nordeste do Brasil que foi desfavorável à ocorrência de chuvas e à formação de LI’s ao longo da costa norte, porém atuou no sentido de intensificar a formação de DOL's adjacente à costa leste do Nordeste (ver seções 3.3.2 e 3.3.3). No período de 24 a 29, este cavado tornou-se um VCAN que se deslocou sobre o Pará, inibindo a convecção em grande parte dos setores central e nordeste do País.

Durante o mês de junho, as precipitações foram escassas na maioria das bacias brasileiras, embora os totais mensais tenham excedido a média histórica na maior parte do Brasil. Os maiores totais de chuva ocorreram no norte da bacia do Amazonas. As vazões médias mensais diminuíram na maioria das bacias, com exceção do norte da bacia do Amazonas, do sul da bacia do Paraná e do Atlântico Sudeste e da bacia do Uruguai, onde foram registrados aumento das vazões em comparação com o mês anterior.

A Figura 30 mostra a localização das estações utilizadas nestas análises. A evolução temporal da vazão, para cada uma destas estações, e as respectivas Médias de Longo Termo (MLT) são mostradas na Figura 31. Os valores médios das vazões nas estações monitoradas e os desvios em relação à MLT são mostrados na Tabela 2.

Na estação Manacapuru-AM, as vazões foram calculadas a partir das cotas observadas no Rio Negro, utilizando um modelo estatístico (ver nota no 8 no final desta edição). Neste mês, a máxima altura registrada foi de 29,76 m, a mínima foi 29,15 m e a média igual a 29,46 m. (Figura 32).

Na bacia do Amazonas, a maioria das estações apresentou vazões médias mensais maiores que o observado no mês anterior e acima da MLT. A exceção ocorreu na estação Samuel-RO, no sul desta bacia, onde a vazão média mensal diminuiu em relação a maio passado e ficou abaixo da MLT. Também em Tucuruí-PA, na bacia do Tocantins, a vazão média mensal foi menor que a observada no mês anterior, porém acima do correspondente valor da MLT.

Na bacia do São Francisco, as vazões médias mensais diminuíram em comparação com maio passado. Considerando a MLT, a vazão ficou acima da média em Três Marias-MG e abaixo em Sobradinho-BA.

As vazões médias mensais diminuíram na maior parte das estações localizadas na bacia do Paraná, se comparadas com o mês anterior. Contudo, os valores observados excederam a MLT na parte norte desta bacia. Já nas estações de Xavantes-SP e Capivara-SP, na parte sul, as vazões ficaram abaixo da MLT. Ainda na parte sul desta bacia, as estações de G.B. Munhoz-PR e Salto Santiago-PR apresentaram aumento das vazões, porém desvios negativos se comparadas à MLT.

Em Blumenau-SC, na bacia do Atlântico Sudeste, a vazão média mensal diminuiu em comparação com o mês anterior e ficou abaixo da MLT, como resultado das baixas precipitações no Vale do Itajaí (Tabela 3). Já no sul desta bacia, a vazão média mensal na estação Passo Real-RS aumentou em comparação com o mês anterior, porém ficou abaixo da MLT. Comportamento similar ocorreu na estação de Passo Fundo-RS, na bacia do Uruguai, onde a vazão aumentou, porém ficou abaixo da MLT.

Durante o mês de junho, 1.850 focos de queimadas foram detectados no País, pelo satélite NOAA-15 (Figura 33). Este valor ficou 40% acima dos focos detectados em maio passado. Este aumento representou o início da pré-temporada das queimadas, especialmente no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Mato Grosso.

Em comparação com junho de 2008, verificou-se que o número de focos diminuiu 35% em todo o País, possivelmente associado às precipitações acima da média em grande parte do Brasil. As maiores reduções ocorreram no Tocantins (74%, 70 focos), no Maranhão (74%, 57 focos) e na Bahia (50%, 70 focos). No Mato Grosso, os 900 focos de queimadas representaram uma redução de apenas 15%. Por outro lado, no Mato Grosso do Sul, os 113 focos de queimadas corresponderam a um aumento de 200%, em relação ao mesmo período de 2008.

Detectaram-se 76 focos de queimadas no interior das Unidades de Conservação, federal e estadual, e áreas vizinhas, especialmente no Mato Grosso do Sul, na Área de Preservação Ambiental Ilhas e Várzeas do Rio Paraná; no Tocantins, na Área de Preservação Ambiental Ilha do Bananal; e em São Paulo, na Área de Preservação Ambiental Corumbataí-Botucatu-Tejupá.

Em junho, foram observadas anomalias negativas de Pressão ao Nível do Mar (PNM) nos mares de Amundsen, Bellingshausen (até -8 hPa), Dumont D'Urville e Lazarev. Anomalias positivas de PNM ocorreram nos mares de Ross, Weddell e Davis (Figura 34). No nível de 500 hPa, registrou-se anomalia positiva de geopotencial no platô antártico, mantendo a tendência observada no mês anterior (ver Figura 12, seção 1).

No campo de anomalia do vento no nível de 925 hPa, destacou-se a anomalia anticiclônica organizada entre os mares de Ross e Bellingshausen (Figura 35). Neste mês, foram registrados três episódios de escoamento de ar de sul para norte a partir do norte e nordeste do mar de Bellingshausen e noroeste do mar Weddell, em direção ao sul do Brasil, totalizando sete dias. Este escoamento colaborou para anomalias negativas de temperatura no sul do Brasil (ver seção 2.2).

A temperatura do ar em 925 hPa apresentou anomalias positivas em praticamente todo Oceano Austral, com desvios de até 5ºC nos mares de Ross, Dumont D'Urville e Lazarev (Figura 36). As anomalias negativas de temperatura ocorreram apenas no mar de Amundsen (até -2ºC). Entretanto, é importante ressaltar que as estações no norte da Península Antártica, como Ferraz (ver abaixo) registraram temperaturas bem inferiores à média. No nível de 500 hPa, foram registradas temperaturas cerca de 5ºC acima da climatologia no interior do continente.

Considerando o campo de anomalia do vento, mostrado na Figura 35, notou-se que a circulação anticiclônica organizada entre os mares de Ross e Bellingshausen contribuiu, provavelmente, para a retração na extensão do gelo marinho nos mares de Bellingshausen e Weddell (Figura 37).

Na estação brasileira, Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), com o encerramento do trimestre climático, notou-se que a temperatura média para o outono, igual a -0,9ºC, esteve 0,2ºC acima da climatologia para este período. Neste mês, registraram-se ventos predominantes de leste (41%). A magnitude média mensal do vento foi de 7,1 m/s, acima da média climatológica para este mês (6,1 m/s). A temperatura média do ar foi igual a -7,3ºC, ficando abaixo da normal (-5,5 ºC). No total, oito frentes e onze ciclones extratropicais atingiram a região da Península Antártica, sendo que a média esperada para este mês costuma ficar em torno de seis frentes e cinco ciclones.

Dados anuais completos e resumos mensais, bem como a climatologia da EACF (período de 1986 a 2009), encontram-se disponíveis no site http://antartica.cptec.inpe.br/ ~rantar/data/resumos/climatoleacf.xls. As indicações geográficas dos mares da Antártica estão disponíveis no final desta edição (ver Figura B no Apêndice).

[Figura A] [Figura B]

[Figura 1] [Figura 2] [Figura 3] [Figura 4] [Figura 5] [Figura 6] [Figura 7] [Figura 8] [Figura 9] [Figura 10] [Figura 11] [Figura 12] [Figura 13] [Figura 14] [Figura 15] [Figura 16] [Figura 17] [Figura 18] [Figura 19] [Figura 20] [Figura 21] [Figura 22] [Figura 23] [Figura 24] [Figura 25] [Figura 26] [Figura 27] [Figura 28] [Figura 29] [Figura 30] [Figura 31] [Figura 32] [Figura 33] [Figura 34] [Figura 35] [Figura 36] [Figura 37]

[Tabela 1] [Tabela 2] [Tabela 3]

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