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Edição Atual
Volume 27 - Nº04 - Abril/2012

SUMÁRIO
A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atuou ao norte de sua posição climatológica, favorecendo o acentuado déficit pluviométrico no norte da Região Nordeste durante abril de 2012. Por outro lado, as chuvas excederam os valores históricos em áreas da Região Norte, especialmente no norte do Amazonas e em Roraima, com inundações de alguns dos principais rios. As chuvas também excederam a média histórica no centro-sul do País, porém os valores continuaram abaixo da média no Rio Grande do Sul.

As anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) excederam 2ºC no setor leste do Pacífico Equatorial, próximo à costa oeste sul-americana. Estas anomalias positivas também são observadas nas camadas subsuperficiais deste setor do Pacífico, sinalizando uma possível transição entre as fases fria e quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). As oscilações intrassazonais também contribuíram para a diminuição das chuvas, em particular durante a primeira quinzena de abril.

Houve diminuição das vazões médias mensais na maioria das bacias brasileiras. As exceções ocorreram em algumas estações localizadas no norte da bacia do Amazonas e no centro-sul do Brasil, onde se observaram anomalias positivas de precipitação.

Os 2.200 focos de calor detectados pelo satélite AQUA_M-T excederam o total de focos registrado no mês anterior. Considerando o mesmo período de 2011, o número de focos aumentou 90%.


Durante o mês de abril, o fenômeno La Niña continuou em declínio ao longo do Pacífico Equatorial (Figura 1). Na região do Niño 1+2, a anomalia média de TSM aumentou 1ºC, passando a 1,3°C, ao passo que, nas regiões dos Niños 3.4 e 4, as anomalias médias de TSM ficaram menos negativas, passando a -0,4°C e -0,3°C, respectivamente (Figura 2 e Tabela 1). Esta tendência de aquecimento no Pacífico Leste e a gradual diminuição das anomalias negativas nos setores central e oeste do Pacífico indicaram o enfraquecimento do fenômeno La Niña. No Atlântico Tropical, permaneceu o padrão de anomalias negativas de TSM, com destaque para os valores negativos próximos à costa noroeste da África. Nas proximidades desta área, notou-se o posicionamento mais ao sul da ZCIT (ver seção 3.3.1). Por outro lado, a presença de vórtices ciclônicos na alta troposfera, próximo e sobre a costa norte da América do Sul, favoreceu a atuação da ZCIT ao norte de sua posição climatológica.

No campo de anomalia de Radiação de Onda Longa (ROL), destacou-se a considerável mudança no padrão de anomalias notado em março passado no setor oeste do Pacífico, principalmente sobre a região da Indonésia. No decorrer deste mês, as anomalias de ROL passaram a valores positivos nas proximidades da região da Indonésia e noroeste da Austrália (Figura 5). Sobre a Região Nordeste, destacaram-se as anomalias positivas de ROL que vêm predominando desde dezembro de 2011 e refletindo a forte estiagem neste setor da América do Sul. Por outro lado, notou-se uma faixa de anomalias negativas de ROL, estendendo-se pelo setor central da América do Sul. Estas anomalias negativas foram associadas à atividade dos sistemas frontais que conseguiram se deslocar sobre o centro-sul do Brasil, principalmente durante a segunda quinzena de abril (ver seção 3.1).

O campo de anomalia de Pressão ao Nível do Mar (PNM) mostrou as altas subtropicais dos oceanos Atlântico e Pacífico Sul mais intensas (Figura 6). Destacou-se, contudo, a área de anomalia negativa de PNM no setor sudoeste do Atlântico Sul, com anomalia de até -2 hPa centrada em aproximadamente 40°S/35ºW. Estas anomalias negativas refletiram a maior atividade ciclogenética em latitudes médias, mais ao sul durante a primeira quinzena e um pouco mais ao norte durante a segunda quinzena de abril.

Os ventos em 850 hPa ainda se apresentaram anomalamente de leste em torno de 180ºW, porém bastante enfraquecidos comparativamente ao mês anterior (Figuras 7 e 8). No oeste da América do Sul, observaram-se anomalias de norte indicativas da atuação mais intensa da corrente de jato em baixos níveis. Este escoamento de norte favoreceu o aporte de umidade em direção ao norte da Argentina e a redução da atividade convectiva nos setores central e leste do Brasil. Por outro lado, a circulação ciclônica anômala adjacente à costa sul do Brasil refletiu a maior atividade dos sistemas frontais, com destaque para as anomalias de sul no nordeste da Argentina e Uruguai. Estas anomalias foram indicativas da incursão de massas de ar frio, as quais se apresentaram mais intensas no decorrer da segunda quinzena de abril (ver seção 3.2). No escoamento médio mensal em 850 hPa, pode-se constatar a influência da circulação anticiclônica sobre o leste da América do Sul, por sua vez associada ao sistema de alta pressão semipermanente do Atlântico Sul.

O campo de anomalia do vento em 200 hPa mostrou o domínio da circulação típica de verão sobre o norte do continente sul-americano, caracterizada pela Alta da Bolívia e pelo cavado imediatamente a leste (Figuras 9 e 10). O deslocamento para oeste desta circulação favoreceu a configuração de vórtices ciclônicos anômalos sobre o Nordeste do Brasil, inibindo a ocorrência de chuvas (ver seção 2.1.3). Durante a segunda quinzena, o jato subtropical esteve anomalamente intenso em torno de 30°S, favorecendo o avanço dos sistema frontais sobre o Brasil (ver seção 3.1). Esta anomalia também pode ser notada no escoamento médio mensal da alta troposfera (ver Figura 9).

O campo da altura geopotencial em 500 hPa mostrou um padrão de onda 2 nas latitudes médias do Hemisfério Sul (Figura 12). Sobre o Pacífico Sul, destacaram-se as anomalias positivas de geopotencial em latitudes médias e negativas nas latitudes mais altas, indicativas da condição de bloqueio que favoreceu o predomínio da anomalia negativa de PNM no setor sudoeste do Atlântico Sul (ver Figura 6).

Abril terminou com predominância de chuvas abaixo da média histórica na maior parte do Brasil, com exceção de algumas áreas no Amazonas, onde a ocorrência de chuvas mais intensas causou a elevação dos principais rios, e no centro-sul do Brasil, onde houve maior atuação de sistemas frontais em conjunto com a passagem de perturbações na média e alta troposfera. As Figuras 13 e 14 mostram a precipitação observada em todo o Brasil e os desvios em relação aos valores médios históricos. A distribuição espacial das estações utilizadas na análise de precipitação é mostrada na Figura 15. A análise detalhada do comportamento das chuvas para cada uma das Regiões do Brasil é feita a seguir.

As chuvas ocorreram abaixo da média em quase toda a Região Norte, principalmente no leste do Amapá e Pará e no sudeste do Amazonas. Na maior parte de Roraima e no extremo norte do Amazonas, choveu acima dos valores climatológicos em mais que 200 mm. Estas anomalias positivas de precipitação foram associadas principalmente ao escoamento difluente da Alta da Bolívia, cujo centro foi notado a sudoeste de sua climatologia para este período do ano (ver seção 4.2). Destacaram-se as chuvas diárias registradas em Marabá-PA (90,1 mm, no dia 09), Soure-PA (89 mm, no dia 09), Manicoré-AM (91,6 mm, no dia 12), Porto de Moz-PA (108,2 mm, no dia 16), Pedro Afonso-TO (96,8 mm, no dia 22), Itacoatiara-AM (139,6 mm, no dia 24) e Caracaraí-RR (94 mm, no dia 29), segundo dados do INMET. No Amazonas, o excesso de chuva em algumas áreas favoreceu a elevação do Rio Negro, cujo nível já vem subindo desde o início de 2012 (ver seção 5).

A atividade frontal e a passagem de cavados na média a alta troposfera contribuíram para as anomalias positivas de precipitação no sul de Goiás e do Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Por outro lado, choveu até 100 mm abaixo da média histórica no norte dos Estados do Mato Grosso e de Goiás. Os maiores acumulados diários de precipitação ocorreram nas cidades de Corumbá-MS (68,1 mm, no dia 03), Brasília-DF (62,9 mm, no dia 04), Ponta Porã-MS (56 mm, no dia 07) e nas cidades goianas de Aragarças (66,4 mm) e Goiânia (61 mm), ambos valores registrados no dia 10. Na cidade de Jataí, no sul de Goiás, acumularam-se 74,4 mm de chuva entre os dias 19 e 20, segundo dados do INMET.

Houve predominância de déficit pluviométrico em toda a Região Nordeste, com anomalias negativas superiores a 200 mm no norte da Região Nordeste. Em São Luís, capital maranhense, a chuva acumulada atingiu aproximadamente 240 mm, sendo a climatologia mensal igual a 475,9 mm. Na cidade de Chapadinha, no nordeste do Maranhão, a climatologia mensal é igual a 344,8 mm, mais que 300 mm acima da chuva acumulada durante todo o mês. No norte do Nordeste, estas anomalias negativas de chuva foram associadas principalmente à atuação mais ao norte da ZCIT, principal sistema responsável pela qualidade da estação chuvosa neste período do ano. No interior da região semiárida, a falta de chuva durante todo o mês de abril também foi associada à presença do cavado anômalo na alta troposfera e à formação de vórtices ciclônicos em alguns dias (ver seção 4.3). Apesar da escassez de chuva, registraram-se totais diários em torno de 50 mm nas cidades de Iguatu, no sul do Ceará (48,7 mm, no dia 02; 50,6 mm, no dia 4), Turiaçu, no litoral norte do Maranhão (50,9 mm, no dia 09) e em Caravelas, litoral sul da Bahia (50,1 mm, no dia 24). Para estas localidades, os valores climatológicos para abril são respectivamente iguais a 221,7 mm, 387 mm e 125,4 mm (Fonte: INMET).

Choveu abaixo da média histórica na maior parte da Região Sudeste. A exceção ocorreu em áreas isoladas no sul e leste de Minas Gerais, no oeste do Rio de Janeiro e na maior parte do Estado de São Paulo. Nestas áreas, os totais mensais ocorreram acima da média histórica e foram decorrentes principalmente da maior atividade frontal durante a segunda quinzena. Os maiores acumulados diários de precipitação variaram entre 40 mm e 70 mm e foram registrados nos dias 07 (Belo Horizonte-MG: 67,7 mm; Itaperuna-RJ: 53,2 mm), 29 (Votuporanga-SP: 49,5 mm; Frutal-MG: 48,2 mm) e 30 (Avaré-SP: 48,6 mm; Sorocaba-SP: 44,7 mm), segundo dados do INMET.

A atuação de sistemas frontais e a propagação de perturbações na média e alta troposfera favoreceram as chuvas nos setores leste e oeste de Santa Catarina e no Paraná. No entanto, predominaram anomalias negativas de precipitação no Rio Grande do Sul. Na cidade de Cruz Alta, choveu pouco mais da metade do valor esperado para todo o mês (119,5 mm). Entre os dias 10 e 11, choveu 91,2 mm na cidade de Castro-PR e 83,8 mm em Santana do Livramento-RS. No dia 26, registraram-se 87,5 mm de chuva na cidade de Irati e 87,3 mm em Ivaí, ambas localizadas no leste do Paraná. Neste mesmo dia, acumularam-se 68,4 mm de chuva na cidade de Indaial e 62 mm em Chapecó-SC, respectivamente no nordeste e oeste de Santa Catarina (Fonte: INMET).

Como resultado da diminuição da atividade convectiva durante quase todo o mês de abril, as temperaturas máximas médias mensais excederam 34ºC em várias localidades da região semiárida nordestina e nos setores norte e oeste de Goiás (Figura 16). No interior da Região Nordeste, as máximas excederam a climatologia em até 5ºC (Figura 17). As temperaturas mínimas médias mensais apresentaram-se próximas aos valores climatológicos no interior do Nordeste e acima da climatologia principalmente em algumas áreas no oeste da Região Norte, no Mato Grosso do Sul, em São Paulo e na região do triângulo mineiro (Figuras 18 e 19). No Estado de São Paulo, a temperatura média mensal variou entre 16ºC e 24ºC, com predominância de anomalias positivas, especialmente no setor leste (Figuras 20 e 21).

Seis sistemas frontais atuaram em território brasileiro no decorrer de abril de 2012 (Figura 22). Este número ficou dentro da climatologia para latitudes entre 25oS e 35oS. Destes sistemas, o segundo conseguiu avançar até o sul da Bahia e o sexto destacou-se pela incursão de uma intensa massa de ar frio na sua retaguarda, caracterizando um episódio de friagem no oeste do Brasil (ver seção 3.2).

O primeiro sistema frontal, proveniente do litoral argentino, ingressou em Santa Vitória do Palmar-RS no decorrer do dia 05. Pelo interior, este sistema deslocou-se até o norte do Rio Grande do Sul, onde se posicionou no dia 06. No dia seguinte, favorecido pela passagem de um cavado na média e alta troposfera, deslocou-se para o oceano e alinhou-se com as áreas de instabilidade que se formaram sobre a Região Sudeste do Brasil. Na cidade de Teresópolis-RJ, os elevados totais de chuva resultaram em deslizamentos de encostas e transbordamento de rios. De modo geral, as chuvas foram mais generalizadas entre o centro-sul de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo (ver seção 2.1.4). No decorrer do dia 08, notou-se o aumento da atividade convectiva entre o norte da Argentina e o sul dos Estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. No oeste do Paraná, além de precipitação na forma de granizo e ventos fortes, as nuvens convectivas proporcionaram grande quantidade de descargas elétricas, segundo informações do SIMEPAR.

Nos dias 12 e 13, a formação de um centro de baixa pressão entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul deu origem ao sistema frontal que atuou sobre áreas oceânicas. Este sistema foi intensificado pelo vórtice ciclônico que se configurou na média e alta troposfera (ver seção 4.3). No dia 14, a intensificação do canal de umidade em direção ao sul do Brasil contribuiu para a formação de áreas de instabilidade que proporcionaram chuva em quase toda a Região Sul. No dia seguinte, outro sistema de baixa pressão formou-se próximo à costa da Região Sul, dado origem ao segundo sistema frontal. Este sistema apresentou características subtropicais e atuou apenas na faixa litorânea desde Iguape-SP até Caravelas-BA, entre os dias 15 e 17.

O terceiro sistema frontal deslocou-se desde o nordeste da Argentina até a costa sudeste do Brasil, entre os dias 20 e 23. Pelo interior, este sistema avançou apenas até os setores norte e oeste do Paraná. O anticiclone que atuou na sua retaguarda atingiu magnitude igual a 1028 hPa no interior da Argentina, causando declínio da temperatura nas serras gaúcha e catarinense (ver seção 3.2).

Entre os dias 26 e 27, o quarto sistema frontal atuou rapidamente entre Mar del Plata, na Argentina, e Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Neste mesmo período, a formação de um cavado invertido entre o sul da Bolívia e o norte do Paraná proporcionou chuva forte em algumas localidades da Região Sul e a configuração do centro de baixa pressão que deu origem ao quinto sistema frontal. Em vários municípios de Santa Catarina e do Paraná, os acumulados diários de precipitação excederam 50 mm (ver seção 2.1.5). Pelo interior, o ramo frio associado avançou até São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A formação de um sistema de baixa pressão próximo ao nordeste do Rio Grande do Sul deu origem ao sexto sistema frontal entre os dias 28 e 29. Pelo litoral, este sistema deslocou-se até Cabo Frio-RJ e, pelo interior, atuou até Diamantino-MT. A massa de ar frio associada declinou as temperaturas máximas em Rondônia e no Acre, caracterizando o fenômeno de friagem mais acentuado do ano (ver seção 3.2).

Sete massas de ar frio ingressaram no Brasil no decorrer do mês de abril. A última massa de ar frio teve uma trajetória continental e causou um forte declínio de temperatura no centro-sul e oeste do Brasil. A partir do dia 22, registraram-se os mais baixos valores de temperatura mínima nos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

A primeira massa de ar frio ingressou pelo oeste do Rio Grande do Sul no dia 06, estendendo-se, no dia seguinte, para toda a Região Sul. As temperaturas mínimas foram inferiores a 10ºC nas cidades de Rio Grande-RS (9,7ºC), Bom Jesus-RS (7,8ºC), Lages-SC (8,5ºC) e São Joaquim-SC (8,6ºC), todas registradas no dia 07 (Fonte: INMET).

Nos dias 08 e 09, uma segunda massa de ar frio atuou no extremo sul do Rio Grande do Sul. No dia seguinte, o centro do anticiclone associado posicionou-se sobre o oceano. Em Santa Vitoria do Palmar-RS, registrou-se temperatura mínima igual a 9,7ºC no dia 09.

A terceira massa de ar frio atuou sobre o Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina entre os dias 13 e 14, desviando-se para o oceano. As temperaturas mínimas oscilaram entre 12ºC a 15ºC.

No período de 15 a 18, a quarta massa de ar frio ingressou pelo interior do continente, atuando em toda a Região Sul. Ao se deslocar para leste, atuou desde a faixa litorânea do Rio Grande do Sul até o sul da Bahia. No dia 18, a pressão no centro do anticiclone associado chegou a 1022 hPa sobre o oceano, na altura do litoral de São Paulo. Nos dias 16 e 17, as temperaturas mínimas oscilaram entre 7ºC e 9ºC nas regiões serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Nos dias subsequentes, registraram-se mínimas iguais a 7ºC (16) em São Joaquim-SC, 8,7ºC (17) em Campos do Jordão-SP e 10,6ºC (20) em São Lourenço-MG. Em Vitória da Conquista, no sudeste da Bahia, a mínima declinou para 15,9ºC no dia 18.

A quinta massa de ar frio ingressou pelo sul do Rio Grande do Sul no decorrer do dia 21, estendendo-se para as Regiões Sudeste e Centro-Oeste. No dia 24, a massa de ar frio influenciou toda a faixa litorânea da Região Sul até o litoral do sul do Rio de Janeiro. No dia 23, a mínima foi igual a 14,6ºC em Ponta Porã-MS. A partir do dia 22, houve acentuado declínio das temperaturas mínimas nas cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com valores inferiores a 10ºC. No dia 24, a mínima foi igual a 3,5ºC em São Joaquim-SC. Nos dias 24 e 25, foram registradas as mais baixas temperaturas mínimas, em torno de 4ºC, nas cidades de Santana do Livramento, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e em Bagé, todas no Rio Grande do Sul.

Entre os dias 27 e 28, a sexta massa de ar frio atuou no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, causando acentuado declínio da temperatura. Em Bagé-RS, a temperatura mínima declinou quase 3ºC, passando a 5ºC no dia 27. Em Rio Grande-RS, a temperatura mínima passou de 9,6ºC para 7,2ºC entre os dias 26 e 27. Em Santana do Livramento-RS, a mínima passou de 9,4ºC para 5,8ºC neste mesmo período.

A sétima e última massa de ar frio teve um deslocamento continental, avançando pelas Regiões Sul e Centro-Oeste, sul da Região Norte e pelo centro-sul da Região Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais) nos dias 29 e 30. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as mínimas registradas foram inferiores a 10ºC. As menores temperaturas ocorreram nas cidades de São Joaquim-SC (3,4ºC), Irati-PR (4,3ºC) e em Santana do Livramento (5,1ºC), todas registradas no dia 30. Neste mesmo dia, a mínima declinou para 8,1ºC em Ponta Porã-MS (Fonte: INMET). Em Vilhena, no sul de Rondônia, a temperatura máxima declinou quase 7ºC entre os dias 29 e 30, passando a 21,5ºC. Neste mesmo período, a mínima declinou 5,9ºC, passando a 17,3ºC e caracterizando o primeiro episódio de friagem do ano no sul da Região Norte.

A atividade convectiva foi bastante reduzida no nordeste da América do Sul, conforme mostram as imagens de temperatura de brilho para a maioria das pêntadas de abril (Figura 23). Na 2ª pêntada, nota-se o cavado em altos níveis que inibiu a convecção em parte da Região Nordeste. Nesta mesma pêntada, observa-se o posicionamento mais ao norte da ZCIT, em torno de 3ºN. Nas pêntadas 3ª e 4ª, a banda de nebulosidade associada à ZCIT apresenta-se mais próxima da costa norte da América do Sul, ao passo que nas duas últimas pêntadas de abril, o deslocamento mais ao norte da ZCIT foi influenciado pela persistência de vórtices ciclônicos sobre a Região Nordeste (ver seção 4.3). Sobre as Regiões Norte e Centro-Oeste, apesar do déficit pluviométrico, foi observada nebulosidade convectiva em praticamente todas as pêntadas. Nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil, o aumento da convecção foi associado à maior atividade dos sistemas frontais durante a segunda quinzena de abril (ver seção 3.1).

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atuou preferencialmente ao norte de sua posição climatológica, desde a longitude 25°W até próximo à costa norte da América do Sul, no decorrer do mês de abril (Figura 24a). Neste mês, sua posição climatológica é notada próximo ao litoral do Maranhão. Ressalta-se que, neste período do ano, a posição da ZCIT costuma ser de extrema importância na definição da qualidade do período chuvoso para o norte da Região Nordeste do Brasil. Considerando as posições médias pentadais inferidas pelos mínimos valores de ROL, a ZCIT posicionou-se mais ao sul durante a 3ª e 4ª pêntadas. A Figura 24b mostra a banda de nebulosidade associada à ZCIT bem configurada ao longo do Atlântico Equatorial no dia 17 de abril. As imagens médias de temperatura de brilho mínima também mostram que a maior frequência de nebulosidade convectiva próximo à costa norte e nordeste do Brasil, associada à ZCIT, ocorreu no decorrer da 3ª e 4ª pêntadas de abril (Figura 25).

As Linhas de Instabilidade (LIs) estiveram melhor caracterizadas em dezoito dias de abril (Figura 26). Devido ao posicionamento da ZCIT ao norte da climatologia e à presença do escoamento anômalo associado à maior atuação de cavados e vórtices ciclônicos na alta troposfera, a formação de LIs ocorreu preferencialmente entre a Guiana e o noroeste do Ceará. Em anos chuvosos, as LIs costumam se estender até a costa norte do Rio Grande do Norte, sendo esta situação notada apenas nos dias 07, 16, 18 e 20, porém com fraca intensidade. Embora tenham favorecido o aumento da precipitação ao longo da costa norte do Brasil, os aglomerados convectivos associados à formação de LIs pouco contribuíram para elevar os totais mensais de precipitação acima da média histórica (ver Figura 14, seção 2).

Durante o mês de abril, houve apenas um aglomerado convectivo associado à propagação de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL). Neste mês, a presença de vórtices ciclônicos e cavados na alta troposfera e do escoamento anticiclônico anômalo na média troposfera, sobre o nordeste da América do Sul e oceano adjacente, também contribuiu para inibir a formação destes sistemas. Os recortes das imagens do satélite GOES-12 ilustram o episódio que ocorreu no dia 06 (Figura 27). Este episódio causou aumento da nebulosidade estratiforme sobre o Rio Grande do Norte e o leste da Paraíba, porém os acumulados diários de chuva foram de pequena magnitude. A formação de nebulosidade estratiforme associada ao escoamento de leste que costuma ser mais intenso neste período do ano também foi observada em alguns dias. No entanto, os acumulados diários de precipitação entre o leste de Pernambuco e o nordeste da Bahia foram pouco expressivos, como ocorreu nas capitais Maceió-AL (14 mm acumulados nos dias 19 e 20) e Salvador-BA (19 mm acumulados nos dias 20 e 21), segundo dados do INMET.

O jato subtropical atuou dentro de sua posição climatológica para abril, porém apresentou-se mais intenso. No nível de 200 hPa, a posição média do jato subtropical foi notada no norte do Chile e Argentina, no sul do Paraguai, no Uruguai e no sul do Brasil, onde sua magnitude média mensal atingiu valores entre 40 m/s e 50 m/s (Figura 28a). As As Figuras 28b e
28c ilustram o comportamento do jato subtropical nos dias 16 e 26, respectivamente. Nestes dias, a posição e maior magnitude do jato sobre a América do Sul reforçaram dinamicamente a formação de sistemas frontais à superfície. A Figura 28d mostra a nebulosidade associada à passagem da corrente de jato sobre a Região Sul, contribuindo para a intensificação do centro de baixa pressão que deu origem ao quinto sistema frontal no litoral do Paraná (ver seção 3.1). As chuvas associadas atingiram principalmente o Paraná e Santa Catarina (ver seção 2.1.5).

O posicionamento do centro da alta troposférica sobre o continente sul-americano ocorreu preferencialmente entre a Bolívia e o oeste do Brasil no decorrer de abril de 2012. No escoamento médio mensal, o centro da alta troposférica esteve configurado em aproximadamente 11ºS/60ºW, a sudoeste de sua posição climatológica (Figura 29a). Analisando o escoamento diário em 200 hPa, a Alta da Bolívia esteve melhor caracterizada em 15 dias (Tabela 2). A imagem do satélite GOES-12 ilustra a nebulosidade associada à circulação da Alta da Bolívia no dia 15 (Figura 29b). Neste dia, o centro da Alta da Bolívia encontrava-se no sudeste da Bolívia e o centro do vórtice ciclônico sobre o sul do Piauí, contribuindo para intensificar o escoamento difluente em direção ao norte do Pará, onde, no dia seguinte, foram registrados os maiores acumulados de chuva (ver seção 2.1.1).

A formação de Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCAN) ocorreu durante quase todo o mês de abril (Figura 30a). Durante a primeira quinzena, os VCANs atuaram principalmente sobre os oceanos Atlântico e Pacífico Sul, associados à bifurcação do escoamento na alta troposfera, enquanto que a formação de cavados na alta troposfera foi bastante frequente próximo e sobre o nordeste da América do Sul. Durante a segunda quinzena, estes cavados amplificaram-se sobre a Região Nordeste do Brasil, configurando três episódios de VCAN. Um destes episódios pode ser visualizado na imagem do satélite GOES-12 para o dia 27 (Figura 30b). Neste dia, a formação de nebulosidade foi bastante reduzida em toda a Região Nordeste. É importante mencionar que o posicionamento destes cavados e vórtices ciclônicos sobre e próximo ao Nordeste do Brasil, durante quase todo o mês de abril, contribuiu para a ocorrência de totais mensais de precipitação abaixo da média histórica (ver seção 2.1.3).

A persistência de baixos valores de precipitação no decorrer do mês de abril contribuiu para que as vazões médias mensais também diminuíssem na maioria das bacias brasileiras. As exceções ocorreram em algumas estações localizadas no norte da bacia do Amazonas e no centro-sul do Brasil, onde se observaram anomalias positivas de precipitação.

A Figura 31 mostra a localização das estações fluviométricas utilizadas nestas análises. As séries históricas de vazões médias mensais, para cada uma destas estações, e as respectivas Médias de Longo Termo (MLT) são mostradas na Figura 32. Os valores das vazões médias mensais deste mês e os desvios em relação à MLT das estações monitoradas são mostrados na Tabela 3. Destacaram-se os desvios negativos em relação às MLTs em quase todas as estações monitoradas nas bacias brasileiras.

Na estação de Manacapuru-AM, as vazões foram calculadas utilizando um modelo estatístico, a partir das cotas observadas no Rio Negro. Neste mês, a máxima altura registrada foi de 29,20 m, a mínima foi de 27,71 m e a média de 28,46 m, superando a MLT e o valor observado no mês de março (Figura 33). Esta altura máxima foi atingida no dia 30 de abril, aproximando-se do maior valor já registrado em julho de 2009 (29,77 m). A cota do Rio Negro continuou a subir no mês subsequente, caracterizando uma das maiores enchentes desde o início dos registros em Manaus (Fonte: ANA e Porto de Manaus).

Na bacia do Amazonas, as vazões médias mensais foram superiores às climatológicas nas estações de Manacapuru-AM, Balbina-AM e Coaracy Nunes-AP. Em relação ao mês anterior, as vazões diminuíram nas estações de Samuel-RO, Balbina-AM e em Tucuruí-PA, na bacia do Tocantins.

Na bacia do São Francisco, as vazões médias mensais das estações de Sobradinho e Três Marias apresentaram-se abaixo da MLT, porém próximas às vazões médias observadas em março passado.

Na bacia do Paraná, as vazões médias mensais das estações monitoradas foram inferiores às MLTs, exceto na estação de Salto Santiago-PR. Na bacia do Atlântico Sudeste, apenas a estação de Blumenau-SC apresentou um aumento da vazão média mensal e o valor excedeu a MLT. No Vale do Itajaí, destacaram-se as precipitações acima da média histórica em todas as estações monitoradas (Tabela 4).

A estação de Passo Fundo-RS, localizada na bacia do Uruguai, apresentou uma vazão média mensal próxima de zero e ao valor observado no mês anterior, porém abaixo da MLT pelo sétimo mês consecutivo.

Durante o mês de abril, os focos de calor foram ligeiramente superiores em comparação com os meses anteriores. Neste mês, foram detectados 2.200 focos de calor pelo satélite AQUA_M-T (Figura 34). Em comparação com março passado, houve aumento de 10% e, em relação ao mesmo período de 2011, o número de focos aumentou 90%.

Considerando dados do satélite de referência, a média em abril costuma ficar em torno de 1.270 focos. Este número pode chegar a 51.000 focos em setembro, quando as ocorrências podem aumentar consideravelmente, ou seja, quarenta vezes o valor médio detectado em abril. Comparando-se com a climatologia das queimadas (média dos últimos doze anos) para este mesmo período, houve redução apenas em Roraima. Por outro lado, aumentos expressivos foram observados no Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Bahia e no extremo leste do Nordeste. Em relação a abril de 2011, o Piauí registrou aumento aproximado de 650% (120 focos) e o Mato Grosso do Sul registrou 320% (97 focos). Também houve aumento do número de focos em Minas Gerais (200%, com 180 focos), na Bahia (170%, com 400 focos), no Tocantins (130%, com 230 focos), no Maranhão (110%, com 97 focos), no Mato Grosso (50%, 520 focos) e em Goiás (30%, com 90 focos). Na Região Nordeste do Brasil, a estiagem que vem intensificando desde o início de 2012 favoreceu o uso de fogo na vegetação.

No restante da América do Sul, as fortes ocorrências ocorridas nos meses anteriores não foram observadas durante o mês de abril, com reduções aproximadas de 30% na Venezuela, Argentina, Paraguai e Bolívia. Apenas no Chile e Colômbia, os focos de calor aumentaram cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2011.

Nas Unidades de Conservação (UCs), federais e estaduais, houve aumento de aproximadamente 300% no número de focos em comparação com o ano anterior. As principais áreas atingidas foram a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, em Goiás; a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, no Paraná; o Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia; e a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, no Distrito Federal.

Em elaboração!

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