SUMÁRIO


Em janeiro as chuvas atingiram principalmente as Regiões Sul, Sudeste e Norte, mas foram praticamente nulas sobre o norte de Minas Gerais e Bahia, e ficando abaixo da média sobre o leste de Tocantins e Goiás. Pela primeira vez nos últimos quatro meses, as precipitações estiveram acima da média sobre a Região Sul, porém mal distribuídas espacialmente. A convecção esteve organizada principalmente sobre a Região Norte e parte central e leste da Região Sul. Os sistemas frontais provenientes de latitudes mais altas do Hemisfério Sul, ficaram semi-estacionários sobre o sul da Região Sudeste e norte da Região Sul. Isto ocorreu devido à presença do vórtice ciclônico sobre o Nordeste, durante quase todo o mês, que foi o responsável pela seca que assolou o norte de Minas Gerais e Bahia durante janeiro.

As condições oceânicas e atmosféricas observadas sobre o Oceano Pacífico Equatorial durante o mês de janeiro mostraram aspectos favoráveis a uma estação chuvosa normal sobre o norte do Nordeste, e aspectos desfavoráveis sobre o Atlântico Tropical. Devido ao contínuo aquecimento das águas do mar sobre o Atlântico Sul, próximo ao litoral nordestino, há a possibilidade de que a estação chuvosa sobre o norte do Nordeste para o período de março-abril-maio(MAM) de 1996, venha a ficar próxima da média climatológica. Assim, enquanto o modelo dinâmico do CPTEC indica anomalias ligeiramente abaixo da média para MAM, o modelo estatístico da Universidade de Wisconsin indica uma estação chuvosa próxima da normal climatológica.

O episódio frio sobre o Pacífico Equatorial (também chamado de La Niña), permaneceu durante janeiro, apresentando o núcleo mais frio no Pacífico Central. Os índices atmosféricos e oceânicos, usados para monitorar o fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), ratificaram a situação de episódio frio, apontada nos últimos meses. O Índice de Oscilação Sul (IOS) ficou em 1,1. Esta é a primeira vez desde maio de 1990, que o IOS ficou maior que 1,0. Os ventos alísios se apresentaram com anomalias de oeste, na costa equatorial oeste da América do Sul.

Sobre o Oceano Atlântico observou-se um aquecimento das águas do Atlântico Sul, junto à costa do Nordeste Brasileiro, e o relaxamento dos ventos alísios ao sul do equador, o que favoreceu a precipitação do semi-árido nordestino durante MAM. Durante janeiro também foi observado um forte aquecimento das águas do Atlântico Norte; anomalias positivas de pressão ao nível do mar (PNM) sobre o Atlântico Sul; anomalias negativas de PNM sobre o Atlântico Norte e anomalias de vento para norte sobre o equador. Tais condições são desfavoráveis para a estação chuvosa sobre o norte do Nordeste.

Em fevereiro, com o acompanhamento dos parâmetros atmosféricos e oceânicos, principalmente sobre o Oceano Atlântico, será possível refinar tal prognóstico.

Os modelos númericos e estatísticos de previsão do fenômeno El Niño/Oscilação Sul apontam para uma tendência de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, tendendo a uma normalidade a partir do segundo semestre de 1996. Ressalta-se que as previsões de anomalias climáticas em escala sazonal ainda estão em caráter experimental, e como tal devem ser consideradas.


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