Em setembro, as queimadas ultrapassaram todos os índices registrados nos últimos 5 anos. Entre os dias 14 e 21, detectaram-se 8.407 focos em todo o País. O índice foi 34% maior que o registrado em igual período do ano passado e 46% maior do que 1999. No total, foram 39.303 focos em todo o País, com as maiores concentrações no Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso, Pantanal e Bahia (Figura 31). Apesar de agosto ser normalmente o pior mês do ano, o número deste mês foi 24% superior ao total de focos detectados em agosto e 66% maior do que setembro do ano passado ( 27.000).
De acordo com os processamentos do INPE, a maioria das queimadas ocorreu no Arco do Desflorestamento, que corresponde à Calha Sul da Bacia Amazônica, com especial destaque para o norte de Tocantins, norte do Mato Grosso e sudeste do Pará.
No Nordeste, ocorreram focos de calor acima do esperado na divisa dos Estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará. O mesmo foi observado no Maranhão, Piauí e oeste da Bahia, onde a expansão da agricultura, a renovação de pastos e a queima de restos de algodão após a colheita seriam as principais causas dos focos. Os aumentos foram superiores a 200%.
No Pantanal, ao longo do Rio Paraguai, perto da fronteira com a Bolívia, os focos de fogo surgiram precocemente devido à seca acentuada deste ano. Também registraram-se queimadas na porção norte, especialmente entre Porto Esperidião e Cáceres, e na porção sul da Chapada dos Parecis, no sudoeste do Mato Grosso. Na porção do Pantanal localizada no Mato Grosso do Sul, entre 1 e 14 de setembro de 2000 foram registrados apenas 19 focos de fogo na região, enquanto que no mesmo período de 2001, o número chegou a 587 .
Os Estados que apresentaram o registro de poucos focos, no ano passado, como Rondônia e Acre, agora estão com altas concentrações. No Acre, cresceu o uso do fogo próximo a Rio Branco e na estrada que segue para Xapuri.
Incêndios também foram registrados em diversas áreas indígenas e unidades de conservação. O Parque Nacional do Araguaia e a área indígena do Araguaia foram afetados praticamente todos os dias, com grande número de focos, desde o início da estação seca.
No Mato Grosso do Sul, a área Indígena Kadiweu foi atingida, onde 23 focos foram detectados pelos satélites em um único dia, 25 de setembro. Mas o recorde do mês, em área indígena, ficou com a reserva dos Maraiwatsede, no Mato Grosso, com 49 focos observados apenas no dia 21.
Nas Regiões Sul e Sudeste, os índices são bem menores, devido ao início das chuvas. A exceção, foi apenas a área entre Divinópolis e a Serra da Canastra, em Minas Gerais. Dentre as unidades de conservação mais atingidas pelo fogo, figuram a Serra da Canastra, em Minas Gerais, no início do mês e entre os dias 25 e 30.
Na reserva biológica de Lago Piratuba, no Amapá, ocorreram 21 focos de incêndio entre os dias 25 e 30, e na estação ecológica de Uruçuí-Una, no Piauí, foram registrados 16 focos no mês.
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