As chuvas que ocorreram no centro-sul do País ainda foram insuficientes para acabar completamente com os focos de queimadas. O número de focos voltou a aumentar em diversas Regiões após um período de maior redução das queimadas. Nas Regiões Norte e Nordeste, registrou-se um alto número de focos, superior aos dois últimos anos.
O total de focos no período de 1 a 14 de novembro foi igual a 9.476 contra 3.012, na primeira quinzena de novembro de 2000, e 3.516, em igual período de 1999. Foram registrados 85% de focos a mais em relação ao ano passado, ou seja 15.504 contra os 8.500 (Figura 33). Os Estados do Ceará e Maranhão foram os destaques na elevação deste número.
As concentrações importantes de focos ocorreram com distribuição espacial similar a outubro de 2001, a exemplo do norte do Mato Grosso, entre Porto dos Gaúchos e a Serra Formosa, com focos estendendo-se até o Parque Nacional do Xingu, invadindo o Pantanal a sudoeste. Alguns focos foram detectados, dentro do Parque Nacional do Pantanal. Embora mais isolados, também houve registros de focos no interior de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, o que, nesta época do ano, já não deveria mais acontecer.
No interior do Maranhão, Piauí e Ceará a intensidade do fogo continuou alta nestes dois últimos meses. Aumentaram as concentrações no sertão pernambucano.
Na Amazônia, houve uma progressão das queimadas de leste para oeste, sobretudo nas várzeas do baixo Amazonas, no Estado do Pará, incluindo alguns pontos na Ilha de Marajó e na divisa com o Amapá.
Destacaram-se, ainda, os focos localizados na Serra do Aracá, a partir da divisa do Amazonas com Roraima. A região é pouco habitada, com alta diversidade de tipos florestais e alguns campos abertos, mais sujeitos a incêndios. Garimpeiros de tantalita, presentes na área, usam o fogo para limpar o terreno a ser garimpado e os piabeiros, como são chamados os coletores de peixes ornamentais, também colocam fogo nas matas de beira rio para facilitar sua atividade.
O sistema de monitoramento de focos em unidades de conservação e terras indígenas (INPE e IBAMA) também registrou um número considerável de incêndios neste mês. Pelo menos 17 focos foram registrados dentro da área indígena Ianomâmi, cujo limite sul fica perto da Serra do Aracá; 34 focos na reserva biológica Gurupi, no Maranhão; e 33 na reserva biológica Lago Piratuba, no Amapá. Registraram-se focos também na área indígena Raposa Serra do Sol (12 focos), muito disputada com os fazendeiros de Roraima. Outros 10 focos foram detectados no Parque Nacional do Pico da Neblina, de acesso muito difícil, indicando a existência de um garimpo ou outra atividade irregular.
A preocupação mais urgente, porém, é com o Parque Indígena do Tumucumaque, no Pará, onde 35 princípios de incêndio foram detectados somente no último dia 16.
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